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Sucesso Financeiro Com Qualidade De Vida

Sucesso Financeiro Com Qualidade De Vida

No filme Jerry Maguire, o personagem de Cuba Goodning Jr. é um jogador de futebol americano que deseja mais do que o sucesso, quer o “kwan”. Quando perguntado o que significa “kwan”, ele responde que é o pacote completo: dinheiro, sucesso, qualidade de vida, enfim, muitos podem ter dinheiro, mas não podem ter o “kwan”, finaliza.

Essa é a pergunta que mais ouço nos processos de coaching. Como ter qualidade de vida? Como equilibrar a vida pessoal com o trabalho? Embora a pergunta pareça fazer sentido, na verdade não tem uma resposta única para todos. Primeiro, porque sucesso profissional significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Segundo, porque cada indivíduo vive um contexto específico que deve ser considerado para se obter essa resposta.

A pergunta-chave

Para se chegar a uma ação, ou a um plano de ações, a pergunta a ser respondida é: “Qual o propósito de sua vida?” Sem essa resposta, é difícil encontrar energia para se fazer o que é necessário para ter sucesso e equilíbrio.

A sugestão para criar um propósito para sua vida é que a pessoa se interesse em se autodesenvolver e atingir um nível elevado de maturidade. A vida se parece muito com um veículo que adquire complexidade com os anos. Aos 20, se parece com uma moto; aos 30, com um carro. Mas ao chegar aos 40, transforma-se em um avião de grande complexidade. Não adianta querer pilotar um avião, tendo a compreensão de instrumentos para se dirigir um carro. O avião cai.

A dificuldade em se obter equilíbrio na vida é que o indivíduo tem, com o passar do tempo, de adquirir cada vez mais conhecimento sobre cada vez mais áreas de sua existência.

Os principais vilões: falta de conhecimento financeiro e de domínio emocional

Pela natureza do meu trabalho, vejo com clareza decisões de pessoas com 30 anos que impactarão suas vidas aos 40 e 50 anos. E vejo executivos nessa idade que se lamentam de suas decisões impensadas do passado. Embora considere que tudo pode ser visto como um aprendizado para a maturidade, certas escolhas carecem de racionalidade e domínio emocional, que são os principais responsáveis pelo desequilíbrio na vida das pessoas.

Dinheiro, sempre ele

O primeiro assunto que observo que elas evitam ao máximo é o conhecimento relevante sobre investimentos. Nossas escolas ensinam muito bem os indivíduos a ser empregados, mas falham de forma decisiva em oferecer informação de como lidar com o dinheiro e gerar fontes de renda passiva, isto é, utilizando-se de habilidades de investidor. Considero esse o fator isolado mais importante para o desequilíbrio e baixa qualidade de vida. Pois, quanto mais se aproxima dos 40 anos, a liberdade da maioria diminui devido às questões financeiras. E isso ocorre mesmo para profissionais bem-sucedidos, mas cujo padrão de vida é muito alto e mantido por salário. O problema é que a renda salarial, além de ser a mais tributada de todas, é também a mais arriscada. Afinal o salário só possui dois níveis: 100% ou zero.

Entretanto, embora um indivíduo observe com clareza que deve se dedicar por décadas para ser um mestre na sua profissão, tem a ilusão de que pode se tornar um investidor por meio de dicas sobre investimentos. Como não sabe o que é um investimento, em geral pega essas dicas com profissionais que se identificam como consultores, mas que na sua maioria são vendedores de produtos financeiros. É como perguntar a um barbeiro se ele acha que você precisa cortar o cabelo.

Aprender sobre investimentos requer tempo e dedicação, e não há um ponto de chegada, mas um aprendizado contínuo e útil por toda a vida. Sugiro começar com livros a respeito, exercitar muito e então fazer os investimentos que são favoráveis e de acordo com seu estilo e interesse.

Informação relevante: um investidor deve conhecer sobre o mercado financeiro, metais preciosos, setor imobiliário e negócios. E entender as implicações em sua vida das dívidas, da aposentadoria, inflação, dos tributos e juros. Em algum instante, será um ou mais desses fatores que serão responsáveis em grande parte por sua baixa qualidade de vida. O mundo e as pessoas estariam em melhores condições se fossem alfabetizados financeiramente.

O desafiador domínio emocional

O segundo fator, domínio emocional, é o que faz com que a pessoa possa ter qualidade de vida mesmo em momentos que lhe são extremamente desfavoráveis. Manter a paz e a serenidade quando tudo vai bem não requer nenhum desenvolvimento. Mas, quando a vida acontece de forma muito desfavorável, violenta ou injusta, nesses momentos é que é preciso desenvolvimento humano para suportá-los e sair deles sadio física, mental e psicologicamente.

Para desenvolver-se e ter condições de enfrentar esses dificílimos momentos, o propósito maior deve ser, ao passar por eles, se aprimorar. Não há sentido em vivenciar experiências dolorosas; é a própria pessoa que deve ser capaz de lhes dar significado. Em meu trabalho já vi seres humanos passarem por coisas indescritíveis, inomináveis, mas ainda assim seguirem suas vidas com uma inspiração inacreditável.

O indivíduo deve interessar-se por temas como preparo psicológico, maturidade espiritual, transcendência, a vida como um processo de aventura no qual o herói é a própria pessoa em sua jornada de transformação, enfim, temas que somente podem ser vivenciados. São eles que auxiliam a pessoa a evoluir, lidar com a complexidade da vida e amadurecer, de forma a criar um propósito maior que ilumine suas ações, suas palavras e, por fim, tragam o equilíbrio que tanto deseja. Pensar nas horas de trabalho é importante; nas horas dedicadas à família, também é importante, mas inspirar-se por sua própria existência é onde está o equilíbrio que a pessoa tanto almeja.

Por fim, a super-valorização das emoções na cultura brasileira causa mais transtornos que benefícios às pessoas. Casais que falam alto entre si. Líderes que gritam com seus subordinados. Colegas de trabalho que se dirigem uns aos outros aos palavrões de forma dura. Pessoas que se fecham diante dos desafios da vida. Enfim, as emoções podem ser grandes aliadas na busca por uma vida sadia, mas, sem domínio e nas doses exageradas são motivos de deterioração da experiência de vida. Nesse sentido, uma orientação é que a qualidade de vida no trabalho é diretamente proporcional à qualidade dos diálogos. Respeito e consideração entre as pessoas nesse ambiente fariam grande diferença. Principalmente se os líderes fossem conscientes de que suas palavras e comportamentos afetam a todos. Vamos em frente!

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